Uma equipa de investigação do Instituto BlueZ C da Universidade do Algarve partilhou uma manhã com os alunos da Escola de Hotelaria de Islantilla, Huelva, para explicar o trabalho que está a ser realizado no âmbito do projeto Sal C, para uma melhor aplicação do conhecimento científico nos ambientes naturais de as tradicionais salinas.
Estas obras melhoram a qualidade do sal ao mesmo tempo que conseguem converter estes espaços em imensos sumidouros de carbono.
O projeto, apoiado pela Fundação La Caixa, BPI Fundação para a Ciência e Tecnologia , na linha Promove permite ao território da Eurocidade do Guadiana estar presente naquilo que de mais inovador se realiza ao nível mundial com o sequestro de carbono e combate às alterações climáticas.
Na presença dos presidentes das freguesias de Altura, Odeleite e Castro Marim, da Assembleia Municipal, da conselheira do município de Ayamonte, da diretora da Eurocidade, do provedor da Santa Casa da Misericórdia, do pároco do concelho e do presidente da câmara municipal de Castro Marim, no pátio da Casa do Sal, a vice-presidente Filomena Sintra inaugurou o Presépio de Sal.
Antes, o Grupo da Associação Amendoeiras em Flôr, grupo folclórico de Altura, recebeu os presentes a cantar temas tradicionais da Quadra Natalícia.
Saudando os castro-marinenses, os artesãos com uma palavra muito especial, em particular àqueles que colaboraram na elaboração do presépio e enaltecendo o Grupo Amendoeiras em Flor que vieram para enaltecer a abertura desta exposição, mais do que um presépio, Filomena Sintra disse:
«É um momento de alegria e é um momento de partilha de muitas horas de entrega de algumas pessoas, mas acima de tudo, e antes de começar com os agradecimentos especiais, eu vou ler um bocadinho de um poema que está ali na exposição».
Depois, afirmou que, no presépio da Casa do Sal, tendem, em cada ano, em cada edição, a «valorizar o que é nosso e fazer de Castro Marim uma referência a nível nacional com aquilo que são as comemorações do Natal».
Depois disse que o presépio, este ano, valoriza ainda mais aquilo que é a cestaria, explicitando: «Temos aqui uma grande obra de arte, uma obra inédita, uma obra inigualável, que aqui pelas mãos do Martinho e com a ajuda da Paula.
A nova mulher de cestaria, feita em silêncio, com alma, em horas, noites, é a grande obra que vocês vão apreciar e vão ter um enorme orgulho, porque sem dúvida não haverá igual no nosso país».
Afirmou que também enaltece o bom nome de Castro Marim onde o sal atravessa «a nossa história milenar, e é também um tributo a todos que dele vivem e hoje fazem dele o ouro branco do mundo. E é isso, aquilo que guarda o nosso presépio. E temos a empreita, hoje aqui, representada pela Dona Fernanda»
Elogiou, depois, o trabalho dos artesãos que contribuíram para a feitura do presépio e a bela arte, «aquilo que as vossas mãos conseguem fazer tão bonito».
Destacou Vilma André, que é uma jovem de Altura, «que também reinventou a arte da cestaria e de outros produtos ao topo».
Na tarde foi aberto o presépio de crochet na Igreja de São Sebastião, a igreja que é da Misericórdia de Castro Marim.
Antes da bênção, o pároco de Castro Marim lembrou que o presépio representava o nascimento de Jesus.
«A palavra presépio», disse «podemos traduzi-la para português pela palavra estábulo ou manjedoura, porque escutamos nos Evangelhos que Jesus nasceu numa manjedoura, num estábulo, porque não tinha lugar para ele numa hospedaria».
Daí, lembrou os «quantos irmãos e irmãs nossas não têm também lugar numa hospedaria. Ou seja, não têm uma casa para viver, não têm um lugar onde possam nascer, onde possam viver. E por isso, ao olharmos para esta passagem do Presépio, lembremos todos aqueles que não têm lugar, dos que vivem sem lugar».
E, ainda «Lembremos todos os homens e mulheres que hoje não têm lugar nas nossas aldeias, vilas ou cidades», acrescentando que o presépio é o lugar de todos «onde todos são incluídos. Portanto, se ele é o lugar de todos, ele é o lugar da dignidade. E neste tempo que vivemos, que é o nosso, neste tempo histórico, procuramos a dignidade no centro do nosso coração e da nossa mente. E colocar o lugar de dignidade no centro do nosso coração e da nossa mente é colocar as pessoas em primeiro lugar».
A inauguração do Presépio do Sal e das Artes, agendada para as 16h00 do dia 1 de dezembro na Casa do Sal, em Castro Marim, vai marcar o início da época natalícia no concelho, que a autarquia promete ser mágica e que tem a empreita como novidade.
Com uma nova linguagem para esta edição, o tradicional Presépio do Sal e das Artes vai utilizar este ano alguns elementos artesanais e do interior da serra de Castro Marim, como a empreita, a cana e a palma, através da sabedoria ancestral emanada pelas gentes da terra.
O Presépio do Sal e das Artes volta a contar com os acervos do colecionador Ernesto Pires, colaborador de edições anteriores, em parceria com a Junta de Freguesia de Castro Marim, que tem vindo também a adquirir as suas próprias peças, enquanto o presépio de cana tem a assinatura de Martinho Fernandes e Paula Gaspar.
A empreita do interior do concelho de Castro Marim é um dos novos elementos que se junta ao Presépio do Sal e das Artes.
É feita e trabalhada por artesãos locais naturais da Junqueira, que desde sempre, deu vida e forma a objetos com os mais diversos usos, tendo um papel importante na sua função de acondicionamento, transporte de bens, agricultura, pesca, salinicultura e atividades domésticas.
Sob um céu estrelado, estará patente este Presépio do Sal e das Artes até ao dia 6 de janeiro de 2025, com novas formas e interpretações criativas sobre o nascimento de Jesus, juntamente com o «ouro branco» de Castro Marim: o sal.
O Presépio do Sal e das Artes, ao longo dos anos, continua o seu trabalho na promoção e reforço do grande motor económico, social e cultural de Castro Marim, que é o sal, com o objetivo de enriquecer e valorizar a ligação simbiótica do concelho à atividade salineira e, paralelamente, promover outros elementos da cultura e patrimónios locais, como o artesanato e as artes.
A promoção do sal e das artes ancestrais é fundamental para a reafirmação do património imaterial do concelho de Castro Marim, e para a sua continuidade com uma aposta na originalidade e numa permanente evolução e adaptação dos materiais e das técnicas tradicionais aos dias de hoje.